
Famílias abaladas por tragédias semelhantes estão vivendo mais um drama. Os corpos de um bebê que morreram logo após o parto e de um bebê natimorto foram trocados no Hospital Maternidade Almeida Castro, em Mossoró. À TV Tropical, os familiares falaram sobre o caso.
A esposa de Emerson Costa estava com cinco meses de gestação, à espera de mães – um menino e uma menina. No entanto, a bolsa estourou antes do planejado. “A minha esposa começou um trabalho e precisou de atendimento hospitalar. Foi aí que a gente descobriu que estava com uma grande perda de líquido e a gente foi encaminhada ao hospital”, contou o assistente administrativo.
Do outro lado da história, a filha de Rodrigo Lopes aguardava um menino, também com cinco meses de gestação. Porém, ao realizar uma consulta, a enfermeira não conseguiu ouvir o coração do bebê. “Ela foi encaminhada para o hospital e, nesse mesmo dia, por volta das 5 horas da tarde, ela conseguiu chegar até a maternidade. Foi atendida, teve uma longa espera, não só dela, mas de outras gestantes, inclusive em situação, mesmo eu não sendo técnico, mas pelas situações, era evidente a questão da urgência, mas a espera estava muito longa”, relatou o conselheiro tutelar.
As duas famílias reclamam da demora no atendimento. Segundo Rodrigo, o atendimento informou que os procedimentos só foram realizados no outro dia. “A minha filha foi liberada para ir para casa sabendo que o bebê estava morto em sua barriga e que teria que voltar no dia seguinte para fazer os procedimentos para retirar o feto”, disse.
Emerson também reclamou que a esposa, mesmo com a bolsa estourada, precisou esperar e que uma enfermeira teria dito que não era um caso de prioridade. “Ela teve que passar pela triagem. Os profissionais que estavam lá disseram que não era um caso de urgência. Mas eu vi que era uma urgência. E ela demorou cerca de uma hora e meia, mais ou menos, depois foi encaminhada para a enfermaria”, afirmou.
Uma das irmãs de Emerson não resistiu e morreu pouco depois do nascimento. O segundo bebê ficou entubado na UTI, mas faleceu no dia seguinte. “Quando a gente chegou para fazer o recolhimento do corpo junto com uma funerária, que a gente tinha contratado, a gente se deparou com outra criança que não era a nossa, porque tinha uma identificação de outra família, que não era a nossa. Foi aí que a gente foi atrás de saber o porquê minha filha não estava”, detalhou.
Por sua vez, Rodrigo relatou que buscou o corpo do neto na maternidade para o sepultamento, mas afirmou que o bebê estava sem identificação. “Existia uma urna lá com a identificação de uma criança em um papel embaixo da urna e a criança tinha o nome de uma menina. O maqueiro disse ‘esse é o seu?’. Eu disse: ‘não, o nosso é o menino’. Ele disse que ainda estava lá em cima. Detalhe que minha filha estava no primeiro andar. Depois que ele buscou a urna, abriu, foi identificado um bebê que não tinha identificação nenhuma. questão da identificação, retiramos da urna do hospital e colocamos na funerária”, contorno.
Emerson nem isso conseguiu fazer. Ele só teve notícia quando soube que a filha já estava enterrada. “Estava realmente desesperado para nós sabermos que a nossa filha não estava ali, já estava sepultada”, lamentou.
Segundo o conselheiro tutelar, o hospital entrou em contato com a própria mãe, que ainda estava internada, para avisar que tinha sepultado o bebê errado. Desesperada, a mulher ligada ao pai. “Fui até a maternidade, o pai da outra pessoa estava presente e identificaram que na hora que eles foram buscar o bebê deles, ele identificaram que não era o nosso”, disse.
Neste momento de dor e perda, as famílias buscam justiça. “O hospital se responsabiliza em rever protocolos, identificação de bebês seja natimorto, seja nascido com vida, para que não haja trocas. Isso é uma dor imensa. Se a gente não morasse em Mossoró? Como teria sido esse momento?”, disse Rodrigo.
“Que isso não acontece mais com outras famílias e que servem de exemplo para que o hospital reveja protocolos de atendimento, até mesmo uma humanização por parte dos profissionais”, acrescentou Emerson.
Em nota, a Associação de Assistência e Proteção a Maternidade e Infância de Mossoró (Apamim) manifestou solidariedade aos familiares envolvidos e esclareceu que, após o óbito, foram prestados procedimentos internos de despedida, identificação e disponibilização do corpo para reconhecimento e liberação dos familiares. Além disso, informou que foi feito reconhecimento por familiar que se apresentou como responsável.
Ainda no documento, a Apamim esclareceu que, posteriormente, foi constatado que houve equívoco no reconhecimento feito por familiar, que o resultado foi o sepultamento de corpo diverso daquela pertencente ao ente querido.
Além disso, a associação informou também que tão logo a situação foi identificada, o hospital sugeriu imediatamente as medidas com o objetivo de esclarecimentos sobre o ocorrido e promover a regularização da situação.
Por fim, esclareceu que toda assistência prestada pela unidade hospitalar se dá de acordo com as diretrizes do Sistema Único de Saúde e dos protocolos relacionados à assistência materno-infantil.
Já a direção do Hospital da Mulher informou, em nota, que a unidade é referência para toda a Macrorregião, entretanto, o município de Mossoró por meio da Secretaria Municipal de Saúde, pactuou o atendimento às gestantes de Mossoró no Hospital Maternidade Almeida Castro, e, consequentemente, financia as ações para esse público na unidade municipal.
“Mesmo assim, o Hospital da Mulher atende todas as mulheres de Mossoró em trabalho de parto que chegam em período expulsivo, como também outras urgências obstétricas”. Como o paciente em questão não foi identificado, não há como o hospital dizer as condições em que um paciente chegou ao hospital e se chegou a ser examinado ou não.
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