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Luto: Morre Edilson do Bonzão, irreverente locutor de campanhas políticas memoráveis, em Areia Branca

Edilson do Bonzão foi um símbolo das campanhas políticas dos “bicudos” (Foto: Arquivo pessoal)

Por Luciano Oliveira

A manhã desta segunda-feira, 23, foi sacudida pela triste notícia: morreu Edilson do Bonzão. Foi infarto, aos 67 anos. Marítimo, botafoguense apaixonado pela “estrela solitária”, se tornou um símbolo de locução de campanhas políticas memoráveis, em Areia Branca. Sua irreverência era contagiante e a presença em qualquer evento já era garantia de sucesso.

A popularidade de Edilson do Bonzão veio à tona a partir das campanhas eleitorais no final da década de 70 e início dos anos 80. Sempre fiel ao “seu lado” político, Bonzão se firmou como locutor das campanhas do saudoso ex-prefeito Expedito Leonez. Comício com o Bonzão na locução era “ibope” certo.

Edilson do Bonzão em evento político com a atual prefeita de Areia Branca, Iraneide Rebouças, e o casal Dr. Leonardo Nogueira/Fafá Rosado, de Mossoró; À direita, o atual secretário de Obras do município, José Alfredo Rebouças (Foto: Reprodução)

Muitos ainda devem lembrar da velha Veraneio que foi transformada em carro de som para as campanhas de Expedito Leonez. De tão pequena em relação às estruturas de som dos adversários (mesmo na época), ficou conhecida como “caixa de fósforo”. Naquele minúsculo espaço reservado ao locutor no palanque sobre o veículo, Bonzão dominava. Ia soltando as suas “tiradas” e o povão indo ao delírio. Era tanta gente atrás da “caixa de fósforos” que os adversários enciumados apelidaram de “índios”. E “bicudos”, pela predominância da cor vermelha nas vestimentas dos simpatizantes de Leonez e seus aliados políticos.

O vermelho nas movimentações políticas dos “bicudos” inspirou o Bonzão a criar uma das suas célebres frases: “tá vermelhinho igual um pé de danoninho!”.

Foi também do Bonzão o marketing visando aproximar ainda mais Expedito Leonez do seu povo. Bonzão conhecia as ruas de Areia Branca como ninguém e ele se aproveitava dessa condição para soltar essa, durante as passeatas: “Alô de Expedito para fulano de tal…” e seguiu de noite a dentro distribuindo “alô” em nome do seu líder maior, nos quatro cantos da cidade. Já na época das grandes estruturas sonoras, com grupos musicais animando passeatas e comícios, os famosos showsmícios, Bonzão criou o “Vem, conjunto! Bem forte, conjunto!”. E tantas outras…

Edilson do Bonzão também foi comerciante do ramo de bar e restaurante. Ali, ao lado do Ivipanim Clube, ele instalou o famoso “O Bonzão”, digamos o primeiro bar com petiscos da cidade, que se tornou o point dos areia-branquenses. Isso nos anos 80.

Botafoguense apaixonado, Bonzão fundou a sede recreativa do clube na Praça do Pôr do Sol (Foto: Arquivo pessoal)

Também foi dele a ideia de fundar a Associação Recreativa da Torcida do Botafogo Futebol e Regatas, cuja sede ficava na Praça Dix-Sept Rosado, mais conhecida como Praça do Pôr do Sol. Ambiente muito frequentado por desportistas e torcedores do “Glorioso” e de outras agremiações. Tempo bom. Feijoadas com música ao vivo. Cervejinha “estupidamente” gelada e aquele tira-gosto que só Edilson do Bonzão sabia preparar. Era um expert na arte de cozinhar.

Se foi o Bonzão. Um símbolo de lutas e trabalhos políticos em prol daqueles que ele acreditava ser o melhor para Areia Branca.

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