Guamaré: Depois de duas sessões sem quórum, e parada de advertência dos professores do município, o piso salarial do magistério é aprovado

Créditos da foto: Josivan Dantas
Créditos da foto: Josivan Dantas

O plenário da Câmara Municipal de Guamaré nesta terça-feira (14), virou um palco de horrores, especialmente durante a votação do reajuste do piso dos professores. Com o plenário lotado por profissionais que se mobilizaram diante da inércia e da má vontade do Executivo, o que se viu foi uma base governista pobre em discurso. Afinal, defender o indefensável é para poucos; mesmo que a situação tenha maestria em desvirtuar a realidade, a tentativa foi em vão.

A relação entre os professores da rede municipal de ensino de Guamaré e a gestão do prefeito Hélio Miranda sempre foi marcada por muitas ranhuras, mas voltou à tona durante a votação de um projeto de lei envolvendo a atualização salarial da categoria. O episódio escancarou não apenas divergências políticas, mas também um histórico de tensões e desconfiança acumuladas e, principalmente, a falta de empatia do prefeito, já consolidada ao longo dos anos.

Os profissionais da educação carregam um sentimento histórico de desvalorização, que remonta à própria criação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, aprovado na primeira gestão do prefeito Hélio (2013/2016), mas que, na prática, só teria sido implementado mediante intervenção judicial.

A manutenção dessa insatisfação ganhou novos contornos quando o Executivo relutava em encaminhar o projeto de lei, que somente foi enviado após a mobilização dos professores à sede do Legislativo para acompanhar a votação e pressionar pela garantia de seus direitos.

Em contraste com municípios vizinhos, aonde reajustes vêm sendo concedidos com maior regularidade, o cenário em Guamaré foi marcado por resistência e conflito.

Vereadores da oposição defenderam aumento de 10%

Durante a sessão, vereadores da oposição apresentaram proposta de ampliação do percentual de reajuste, de 5,42% para 10%, com base em dados de um estudo de impacto financeiro que apontaria superávit superior a R$ 11 milhões, os quais acompanharam o projeto e foram elaborados pelo próprio Executivo. A informação gerou embate imediato no plenário. Parlamentares da base governista contestaram a viabilidade da medida e defenderam a manutenção do texto original; caso contrário, o projeto deveria retornar à prefeitura, alegando necessidade de reavaliação técnica.

O clima se deteriorou rapidamente. Houve troca de acusações, questionamentos sobre a condução do processo legislativo e críticas à postura de alguns parlamentares diante da presença dos professores. Declarações consideradas ofensivas à categoria ampliaram ainda mais o desgaste. Com destaque, a fala do vereador Dedezinho, que alegou que havia professores que passam longos períodos sem exercer suas funções. A afirmação levantou questionamentos sobre a responsabilidade da própria gestão municipal na fiscalização e organização da rede de ensino.

Placar de 7 x 4

Ao final, a emenda proposta pela oposição foi rejeitada pela maioria, após a defesa do vereador Gustavo Santiago, que, mesmo diante de números evidentes e demonstração cabal da capacidade financeira do município para conceder o aumento de 10%, optou por orientar a votação contra. Com isso, influenciou seus pares: Eudes Miranda, Dedezinho, Carlos Câmara, Eliane Guedes, Miranda Júnior, e Genilson Gomes, consolidando a versão defendida pela base do governo. Para representantes dos professores, o desfecho simboliza mais um episódio de desconsideração com a categoria, sempre oriundo da mesma postura dura, insensível e descompromissada, atribuída ao prefeito Hélio.

Ontem, só se salvaram os vereadores Edinor Albuquerque, Diego de Lisete, Marcio de João Pedro e Helder Oliveira.

Verdade do debate

O debate no plenário mostrou uma base governista acuada pela presença dos professores, muitas vezes rotulados pelos aliados do prefeito como uma classe que procura o Executivo apenas em busca de aumentos salariais, uma versão considerada falsa pelos profissionais.

Os profissionais argumentavam do plenário que, nas escolas, faltam até insumos básicos, como água sanitária, revelando um modelo de gestão considerado atrasado, sem compromisso e sem visão, atribuídos ao prefeito Hélio, que fracassa dia após dia, demonstrando forte fragilidade institucional tanto no desenvolvimento das políticas públicas quanto na condução da relação com os profissionais. A falta de diálogo estruturado com os profissionais da educação tende a agravar conflitos e comprometer a construção de soluções duradouras, um sintoma claro de um governante que não dialoga e, quando promete, não cumpre.

O histórico da falta de compromisso de Hélio com a educação se estende por mais de duas décadas, contando desde sua influência política no município, estando sua gestão sempre associada ao fracasso e a resultados pífios obtidos na área educacional. Isso se evidencia por meio de indicadores considerados insatisfatórios, diante da capacidade de arrecadação do município, reforçando as críticas quanto a falhas no planejamento e na execução de políticas públicas.

E não adianta atribuir a responsabilidade aos professores. A educação tem como gestores diretos o Secretário Municipal de Educação e o Prefeito, que há quase 20 anos prometem as mesmas coisas e entregam os mesmos resultados negativos. Os gestores precisam entender que não e só de parede que se constrói uma educação de qualidade.

O município também conta com uma Câmara Municipal omissa, distante do seu dever de fiscalizar, papel que não cumpre, cruzando os braços diante dos caprichos do prefeito. Para os professores, o episódio vai além de um debate sobre percentuais. Trata-se, segundo eles, de reconhecimento profissional, respeito institucional e valorização de uma categoria vista como essencial para o futuro da cidade, ainda que não seja assim reconhecida pelo prefeito e pelos sete vereadores da situação.

Confira a sessão na integra

📝 Com informações do Blog do JD
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