
Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indica que as importações de diesel registraram uma queda de quase 60% neste mês, em meio a um cenário de tensão no mercado global de petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, dados do órgão apontam que a Petrobras tem aprovado volumes menores de combustíveis solicitados pelas distribuidoras em comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo nota técnica obtida pelo jornal O Globo, a estatal reduziu, apenas em março, em 21,6% o volume de gasolina aprovado para fornecimento às distribuidoras na comparação com março do ano passado. A demanda, no entanto, não apresentou retração, o que acendeu um sinal de alerta dentro da agência reguladora.
“A análise da SDL (Superintendência de Distribuição e Logística) sugere que a Petrobras manteve estoques acima do estoque regulatório ao mesmo tempo em que praticamente todos os grandes clientes demandavam volume adicional”, destacam os técnicos da ANP no documento.
Além da redução na aprovação de pedidos, os dados mostram uma queda expressiva nas importações de diesel. Nos primeiros 17 dias de março, foram importados cerca de 322,6 milhões de litros, o que representa uma redução de 59,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O diesel importado responde por aproximadamente 30% do consumo nacional e tem sido impactado pela alta do petróleo no mercado internacional, intensificada pela guerra envolvendo o Irã. Como a Petrobras não reajustou seus preços na mesma proporção, importadores têm diminuído as compras, diante do risco de prejuízo. Em alguns casos, o combustível importado chega a custar até R$ 2,50 a mais por litro em relação ao preço praticado pela estatal.
Apesar desse cenário, a demanda por diesel permanece elevada, impulsionada pelo início da colheita de mais uma supersafra de soja no país.
“Ao analisar os dados de aprovação, percebe-se que a empresa vem liberando volumes menores neste ano”, aponta a ANP. No caso do diesel S10, a agência observa que, até março de 2026, a Petrobras vinha autorizando volumes superiores aos de 2025. No entanto, para abril — já sob os efeitos do conflito no Irã — houve uma redução de 12,5% nas quantidades aprovadas.
Procurada, a Petrobras afirmou que segue cumprindo integralmente os contratos firmados com as distribuidoras e destacou que suas refinarias operam em capacidade máxima.
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