
A Brava Energia (BRAV3) encerrou a transação para a venda de 11 concessões de petróleo e gás localizadas na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte, ao consórcio formado pela Azevedo & Travassos Petróleo, controlada da Azevedo & Travassos, e pela Petro-Victory Energy.
O encerramento foi comunicado ao mercado nesta quinta-feira (17) e coloca fim a um acordo firmado originalmente em fevereiro de 2025. As partes, no entanto, apresentam versões diferentes sobre os motivos que levaram à ruptura da operação.
Segundo a Brava Energia, o prazo máximo previsto em contrato, conhecido como Longstop Date, foi atingido sem que determinadas condições precedentes necessárias para o fechamento da aquisição tivessem sido cumpridas pelo consórcio comprador.
Diante disso, a companhia afirmou ter exercido o direito de encerrar a transação de acordo com as regras previstas no Purchase and Sale Agreement (SPA).
A Azevedo & Travassos, por sua vez, classificou a decisão como inesperada e contesta a justificativa apresentada pela vendedora. A empresa afirma que as negociações estavam avançadas e que vinha trabalhando com a Brava para concluir a aquisição ainda em setembro.
Azevedo & Travassos diz que prazo havia sido prorrogado
De acordo com a Azevedo & Travassos, no fim de agosto as partes haviam concordado com uma nova extensão do prazo para conclusão do negócio, estabelecendo 21 de setembro de 2026 como nova data-limite.
A companhia afirma ainda que as tratativas continuaram ocorrendo diariamente depois da prorrogação.
Em 2 de setembro, segundo a Azevedo & Travassos, a Brava Energia teria aprovado por e-mail cálculos relacionados aos ajustes financeiros da operação. Paralelamente, as empresas discutiam assuntos ligados à transferência dos ativos perante a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e à comercialização da produção dos campos após a conclusão da transação.
No dia seguinte, porém, a Brava teria encaminhado uma primeira comunicação indicando sua intenção de encerrar o negócio.
A Azevedo & Travassos afirma que contestou a decisão, diante do estágio das negociações, e informou possuir os recursos financeiros necessários para concluir a aquisição.
A companhia também diz estar preparada para apresentar a garantia de descomissionamento exigida no processo de transferência dos campos perante a ANP.
Apesar das contestações, em 14 de setembro a Brava confirmou a rescisão unilateral do acordo, segundo relato da Azevedo & Travassos.
Brava cita condições não cumpridas para encerrar negócio
Em fato relevante divulgado nesta quinta-feira, a Brava Energia apresentou uma versão diferente sobre o encerramento da operação.
A empresa informou que o Longstop Date previsto contratualmente foi alcançado sem que determinadas condições precedentes para o fechamento fossem satisfeitas pelo consórcio comprador.
Com isso, a Brava afirmou ter exercido um direito previsto no contrato de compra e venda.
A companhia declarou ainda que o fim da transação não altera seu planejamento estratégico de curto e médio prazo, incluindo os planos operacionais e de alocação de capital.
A Brava considera a operação encerrada, mas afirmou que continuará acompanhando a eventual necessidade de prestar novos esclarecimentos ao mercado.
Produção dos campos virou ponto de divergência
Além das discussões contratuais, a Azevedo & Travassos atribuiu parte relevante do atraso na conclusão da aquisição à situação operacional dos ativos no Rio Grande do Norte.
Segundo a companhia, a produção dos campos foi fortemente reduzida a partir de setembro de 2025 após uma interdição relacionada ao atendimento de requisitos de segurança operacional exigidos pela ANP.
A Azevedo & Travassos afirma que a expectativa inicialmente apresentada era de retomada da produção até o fim de 2025. Posteriormente, a previsão teria sido deslocada para o encerramento do primeiro trimestre de 2026.
Na versão apresentada pela empresa, entretanto, uma decisão comercial da Brava teria postergado a retomada, mantendo os campos durante aproximadamente sete meses com produção próxima de zero.
A recuperação teria começado apenas em meados de 2026. Em julho, segundo a Azevedo & Travassos, a produção agregada dos ativos correspondia a cerca de 20% do volume esperado.
Para a companhia, a situação operacional dos campos foi o principal fator para o atraso da transação.
Queda de receita teria afetado financiamento da aquisição
A Azevedo & Travassos argumenta ainda que a redução da produção teve reflexos econômicos sobre a operação.
Pelas condições previstas no SPA, determinadas receitas geradas pelos ativos seriam economicamente atribuídas aos compradores após a conclusão do negócio.
Com os campos operando em níveis inferiores aos esperados, a companhia afirma que houve impacto sobre a percepção de valor e risco dos ativos, além de dificuldades adicionais na obtenção do financiamento e das garantias bancárias necessárias para concluir a compra.
Mesmo nesse cenário, a Azevedo & Travassos sustenta que cumpriu suas obrigações previstas no contrato dentro dos prazos e dos planos estabelecidos.
Após o encerramento do negócio, a empresa informou que avalia os impactos da decisão e eventuais medidas para preservar os direitos e interesses previstos no SPA e nos demais documentos relacionados à transação.
Negócio envolvia 11 concessões na Bacia Potiguar
A transação entre Brava Energia, Azevedo & Travassos e Petro-Victory havia sido anunciada em 10 de fevereiro de 2025.
O acordo contemplava a venda de 11 concessões de petróleo e gás onshore na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.
A aquisição seria realizada pelo consórcio formado pela Azevedo & Travassos Petróleo e pela Petro-Victory Energy e suas afiliadas.
Com a rescisão, os ativos permanecem sob controle da Brava Energia, enquanto as partes encerram uma negociação que se estendeu por mais de um ano e meio.
Azevedo & Travassos também vende controle da Verde Alagoas Ambiental
No mesmo dia em que veio a público o encerramento da operação com a Brava Energia, a Azevedo & Travassos anunciou outro movimento envolvendo seu portfólio de ativos.
A empresa assinou contrato para a venda do controle da Verde Alagoas Ambiental por R$ 21 milhões.
A companhia atua no setor de saneamento e possui operações em 27 municípios de Alagoas.
Do valor total da transação, R$ 600 mil ficarão retidos para cobertura de eventuais contingências previstas no acordo.
Segundo a Azevedo & Travassos, os recursos provenientes da venda serão destinados de acordo com sua política de alocação de capital e poderão apoiar novos investimentos.
A companhia afirma que a operação está alinhada à estratégia de posicionar a Azevedo & Travassos como uma plataforma de investimentos em infraestrutura.
📝 Tribuna do Norte
























