
Com enredo polêmico e alvo de processos judiciais, inclusive no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Acadêmicos de Niterói ficou em último lugar no Carnaval do Rio de Janeiro e foi rebaixada para a Série Ouro, com apenas 264,6 pontos. Em seu desfile, a agremiação homenageou o presidente Lula.
O enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” percorreu a trajetória do presidente, partindo da infância no Nordeste ao Palácio do Planalto. Na comissão de frente, a escola reproduziu a rampa do Palácio do Planalto.
Além disso, a agremiação apresentou personagens que remetiam ao ministro Alexandre de Moraes, além dos ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O enredo da Acadêmicos de Niterói foi alvo de pelo menos 10 ações no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União, em tentativas de impedir o desfile ou suspender e reverter repasses de recursos públicos. Para os propositores das ações, o desfile poderia caracteriza propaganda eleitoral antecipada.
Para o advogado e ex-juiz Márlon Reis, idealizador da Lei da Ficha Limpa, “não houve ilegalidade alguma”. “Acabei de assistir ao desfile da Acadêmicos de Niterói. A lei eleitoral exige pedido explícito de votos para caracterização da propaganda antecipada. A norma expressamente autoriza a exaltação de aspectos positivos de pré-candidatos. Não houve ilegalidade alguma”, disse em sua conta no X.
O advogado e comentarista André Marsiglia, por sua vez, foi enfático ao dizer que o desfile da Acadêmicos de Niterói configurou propaganda antecipada a favor do petista.
“Não foi apenas propaganda eleitoral antecipada; foi a mais descarada que já vi, digna de ilustrar manuais de direito eleitoral como exemplo de ilícito. Houve, ainda, abuso de poder econômico e uso da máquina, pois a propaganda foi financiada com dinheiro público”, declarou no X.
A escola também foi acusada de preconceito religioso ao retratar de forma satírica grupos conservadores e valores associados ao cristianismo. A situação gerou críticas nas redes sociais sobre intolerância e discriminação.
Campeã
A Unidos da Viradouro foi a campeã, com um total de 270 pontos. A vice-campeã foi a Beija-Flor, com 269,9 pontos, ao lado da Vila Isabel, com a mesma pontuação. Mais três agremiações completam o pódio: Salgueiro (269,7 pontos), Imperatriz (269,4) e Mangueira (269,2). Todas elas participam do Desfile das Campeãs no próximo sábado (21), no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
A Viradouro levou para o Sambódromo o enredo Para cima, Ciça!, que celebra os 70 anos de Moacyr da Silva Pinto, o mais longevo mestre de bateria de uma escola de samba em atividade.
Durante o desfile, o mestre homenageado participou da comissão de frente e do último carro alegórico, regendo os ritmistas. Além da Viradouro, Ciça já regeu as baterias da Unidos da Tijuca, Grande Rio, União da Ilha e Estácio de Sá, onde começou em 1988.
O mestre, reconhecido pelas bem ensaiadas paradinhas das baterias, liderou a percussão em dois dos três carnavais vencidos pela Viradouro (2020 e 2024) e em um desfile ganho pela Estácio de Sá (1992).
Este é o quarto título da Viradouro no Carnaval do Rio de Janeiro. O último troféu da escola havia sido em 2024. Na lista de maiores campeãs, a Portela permanece na liderança com 22 títulos, seguida de Mangueira (20), Beija-Flor de Nilópolis (15), Salgueiro, Império Serrano e Imperatriz Leopoldinense (9).
Agência Brasil

























